
"A palavra "rede" sugere momentos nos quais "se está em contato" intercalados por períodos de movimentação a esmo. Nela as conexões são estabelecidas e cortadas por escolha. A hipótese de um relacionamento "indesejável, mas impossível de romper" é o que torna "relacionar-se" a coisa mais traiçoeira que se possa imaginar. Mas uma "conexão indesejável" é um paradoxo. As conexões podem ser rompidas e o são, muito antes que se comece a detestá-las".
Não fui eu que falei, foi Zygmunt Bauman[1]
Eu uso a Internet com frequencia há 5 anos. Neste pouco tempo não conheci muitas pessoas que nunca tivessem se apaixonado por ninguém on-line. Nunca entrei em um site de relacionamento especializado mas, fora o juízo de valor, os acho sem credibilidade, uma opção de desespero, que não me inspira respeito. Acho que tudo que acontece através deles poderia acontecer em qualquer outra rede, sem precisar de tanta exposição, sem colocar uma tarja na testa que diz:
Estou a procura de um relacionamento.
Dizem que funcionam. Eu não acredito na solidez desses contatos. Enquanto mantidos virtualmente, para mim não passam de ilusão. (Se bem que tem tanta coisa "real" que não passa de ilusão...). Anyways. Para ser "real", precisam romper as fronteiras da fantasia, e se a "conexão" se mantiver, acredito. Mas se eles soubessem que o rompimento das barreiras virtuais levantam tantas outras barreiras, sairiam da Internet e ficariam só com as barreiras reais. Me parece uma idéia mais simples.
Acabei de jogar fora diversos conceitos de real x virtual estudados até agora com o último parágrafo. O que queria mesmo entender é: por que é tão fácil virtualmente, se fora da Internet fica tão confuso e difícil? Sempre tentei entender, ficava observando, adorava ler históricos de conversas dos meus amigos, apaixonados on-line, procurando fatos em comum. 5 anos pode ser pouco para se usar a rede... Mas pode ser alguma coisa observando um fato recorrente. Pensei em escrever sobre isso, mas não escrever atoa... Queria ser lida! E ouvida.
Pensei em um livro. Mas calma! Quis fazer um teste, para ver como me saia. Vi que poderia estudar isso por (mais) um ano sem me cansar e decidi que este seria meu tema de monografia. Tentei convencer a orientadora e não foi muito complicado. Só me deu um pouco de constrangimento dizer que queria falar sobre isso. Me parecia imaturo, por tratar-se de um tema "recente" para encontrar embasamento teórico suficiente. Percebi o engano ao conhecer o número de pessoas que já estudaram o assunto!
Então, agora não posso me perder nas MINHAS ideias e querer ir além tentando entender o POR QUE, e sim demonstrar o "como acontece", através dos estudos de caso. Mas quanto mais me aproximo dele, mais me sinto confusa. A sensação de ter algo que é tão perfeito na sua cabeça se tornando tangível, esfria o desejo? Gostaria de falar sobre isso! Porque é isso que acontece para que os relacionamentos virtuais não dêem certo. Mas não posso... Só posso estudar o tema dentro da Comunicação Social.
Monografia... Monografia... Monografia!
Não é tão legal quanto fantasiei, mas também não é tão complicado. Parece que fui vítima de um amor virtual, mas só que pelo meu tema de monografia. Vou desconectar agora, antes que comece a detestá-la. Tão fácil quanto o "amor" no século XXI.
[1] BAUMAN, Zygmunt. “Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos”. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2004, p.14.



