quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TED x ABSURDOS x PROVIDÊNCIAS

Hoje pela manhã estava indo trabalhar e vi um cachorro tão magro que precisei voltar para comprar algo para dar a ele comer. Minha consciência não me deixaria seguir em frente. Porque a razão daquele cachorro estar ali daquele jeito, ao lado da estação de trem, é o descaso que as centenas de pessoas fazem ao passar por ele fingindo que não o vêem.


"Não é meu cachorro, não fui eu que deixei aí". Não interessa, ajude. "Coitado... Mas uma hora alguém ajuda". E "alguém" pode nunca vir... Imagine depender dessas pessoas para viver.

Repare que o cachorro tem coleira. O que leva alguém pôr uma coleira em um animal (chamá-lo de seu) e abandoná-lo? Sim, foi abandono. A coleira está em bom estado. Ou seja, descarte a possibilidade de que ele havia fugido há tempos e estava passando fome na rua. Passou fome em casa. Foi largado a própria sorte. Gente doente, irresponsável e má.
Estão vendo os restos de um saco de lixo junto dele? Ele não estava só ao lado do lixo. Estava chafurdando o lixo, cansado, agoniado. Faminto. Eu comprei uns 3 desses joelhos de frango para dar para os cachorros de lá.


Mas não é só com bichos que me sensibilizo. No caminho ainda, vi um mendigo estirado sobre dois colchões bem grossos, praticamente novos, descartados em plena calçada. Sempre olho essas situações com espanto, porque a primeira reação é pensar que uma pessoa estirada na calçada pode ser um cadáver. Não era o caso. Ele dormia com metade do corpo para fora dos colchões. Fiquei imaginando: ele não devia dormir tão bem há tempos, mesmo que naquela posição. A van passou rápido pela cena. A cena não passou rápido por mim.

São tantas discrepâncias na nossa sociedade que, se uma máquina fotográfica não fosse tão visada nas ruas, podia sair batendo foto de tudo e fazer uma bela exposição. Chamaria de: ABSURDOS.
Todos poderiam colaborar com fotos dos absurdos que tivessem presenciado para esfregar na cara da sociedade a forma com que estão agindo, chocar e incentivar a mudar.

Vai ver esse meu pensamento é um reflexo das palestras do TEDxRio a que fui ontem...

Aí você me diz: "É fácil apontar o erro na atitude dos outros, não é? Onde estão os seus?"

Tenho um monte de falhas. Centenas delas. Todos temos. Mas concordo que seja mais fácil enxergar o erro dos outros... E aliás, por que não tentar resolvê-los? Por que não se mexer e agir?
Por isso, só poderia participar da exposição quem fotografasse o absurdo e, logo em seguida, a atitude que tomou para mudá-lo. Afinal, ABSURDOS x PROVIDÊNCIAS seria um nome muito melhor.