sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Foi assim... (Defesa de Monografia)

Depois vou atualizar aqui com as fotos/vídeo.

Foram 3 minutos de total fristaile. Nada do que eu planejei falar (NADA) acabou entrando no plano b. "Qual seu objetivo com o tema, método de pesquisa e considerações". Só! Mas eu sentia que ia ser assim, não adianta.

A ansiedade era muita, eu fui pra frente da sala dando pulos, parecia animadora de platéia do Faustão. Típico eu. Aí me controlei e falei. Isso ja eram mais de 20h, eu cheguei na faculdade às 18h, mas 8 pessoas chegaram antes de mim... Muita tensão. Eles me viam como a pessoa calma.

- Menina, como você consegue ficar assim?

Eu já estava cansada, sem comer o dia todo, não tinha mais energia para gastar atoa. Só com entrevistas tolas com os alunos, que tenho que upar depois, porque obviamente filmamos. Até tinha levado uns doces pra comer, mas dei todos lá na hora.

Era muito entra e sai da sala onde a banca acontecia. A cada decisão de nota, precisávamos TODOS sair, para depois sermos chamados de volta para a próxima. Cada defesa levava em torno de 15 minutos.

Na minha vez, até esqueci que tinham os comentários dos professores... Eu ia sentar quando hesitei e vi que eles começariam a falar. Ricardo França foi o primeiro... falou que não se espantou com meu trabalho, que já conhecia meu texto e que inclusive pegou meu projeto para a matéria dele e enviou para toda a turma, para que eles se espelhassem e pudessem elevar o nível dos trabalhos. (Uma honra ouvir isso!). Ele comentou minha busca por padrões na monografia, que parecia que eu estava comentando a teoria do caos e que, no fim, consegui provar que havia relação em tudo. Que o tema foi muito bem estruturado e que ele gostou muito. Pronto.

Um ótimo começo, pensei. Respirei aliviada.

Depois, foi a vez do Mauro Leão, ele disse que a monografia tinha tópicos que podiam se esperar deste tema, que fui por caminhos ousados, consegui esclarecer e estruturar bem. E que o capítulo sobre "Internetês", por si só, dava uma monografia. Sugeriu que eu desse continuidade ao trabalho, em uma pós. Também falou da abrangência do tópico "Real x Virtual", que é uma discussão que suporta muitos desdobramentos por o virtual criar essa possibilidade do contato-sem-o-contato.

Neste momento, eu pude dizer algo que gostaria muito de ter falado, mas que sem o roteiro ficaria meio estranho: O capítulo II foi o que mais gostei de fazer. Por essa discussão tão vasta do Real ao Virtual. É um assunto muito rico e muito interessante, pelas formas em que pode ser visto e as formas com que entra na nossa vida. Pena que precisei parar no limite das 17 páginas. (Ia extrapolar e isso faz o texto perder o interesse).

Em seguida, Luciene Setta, minha orientadora falou. Disse que era isso, que foi um trabalho que deu muito orgulho a ela de orientar (sendo ela a primeira no Brasil a falar do tema "relacionamentos virtuais"), e teceu elogios a mim e à monografia.

Então, foi solicitado que saíssemos todos da sala. Eu e todos que assistiam...

Saí. Saímos.
Essa hora não tem mais o que fazer, e é justamente nesta hora que dá a aflição maior. O que tive a intenção de fazer, fiz, e está escrito, o que pude falar, falei e não dá para voltar atrás, a hora passou. Eu não fiz um trabalho para 8 ou 9. Esse era meu único medo... Sair de lá sem 10.

Eu pulava do lado de fora da sala e tocava todo mundo no braço: "olha como eu to gelada! olha como eu tô! caramba, que nervoso. ai". Eu tocava até gente que eu não conhecia. A resposta era unânime: "que isso, que gelo!". Podia ser a fome me deixando assim... Mas a vontade de desmaiar ainda não vinha, tampouco eu pensava em comer essa hora.

A porta se abriu, Luciene pediu que eu entrasse.
Entrei sozinha.

Na sala, também estava um único mestre que não precisou sair junto do público. O nome dele? Marcelo Sosinho. Então não estava sozinha, estava sozinha com o Sosinho. (ha ha! ok).

Voltei para o centro da sala, onde estava no começo da apresentação. Dessa vez, Luciene fez colocações que me deixaram surpresa: "Bem, antes de tudo, quero dizer que a Thaisy foi uma aluna sempre muito interessada e foi muito bom orientá-la nessa monografia. Principalmente, porque é bom quando você vem pra um projeto onde o aluno já seu sobre você, conhece a obra que você fez... e quer dar novos desdobramentos pro tema, isso é muito gratificante. E ela é aquele tipo de aluna que TODA SEMANA chegava com uma vasta pesquisa. Quando ela chegava, já era aquela coisa: "Ai, lá vem ela...". Sempre indo atrás, sempre produzindo um material muito bom. Então, Thaisy, por isso, a decisão da banca é que você tirou 10".

Eu gritei. Um gritinho ridículo de quando você vê barata. (Minto, eu grito feito louca quando vejo barata). Foi um gritinho de "ai 10!". Era tudo que eu queria ouvir, sabe? E ouvi. E fui correndo abraçá-la. E fui abraçar todos os professores. Um por um. E ouvi o França dizendo: "quebrando o protocolo". Nessa hora, eu me senti mais que nunca naquela situação que perguntei pra quem já passou por isso, no twitter: "Parece que a gente tá no Ídolos?". PARECE. Tem até um protocolo de não abraçar o "júri". rs. Mas é, abracei todo mundo e até o Sosinho, pra ele não ficar lá sosinho sozinho olhando. (Essa piada é muito boa!)

- Mereceu. -, disse o profº Ricardo França.
- Ela é o tipo de aluna que de tão certinha chega a ser chata! -, falou profª Luciene piscando o olho e rindo.
Confesso que deste último "elogio" eu não gostei, não. Mas vá lá. Se é pra conseguir o melhor DE MIM e de quem trabalha comigo, eu vou ser "chata" mesmo. Sempre!
Profº Mauro Leão parabenizou e sorria com minha alegria.

A melhor parte foi quando saí da sala! Os olhares de todos no corredor, arregalados num misto de medo+apreensão, um maior que o outro. Todo mundo me fuzilando com cara de: "E AÍ???".
E eu saí com a maior cara de brava/choro, passando direto por eles. E quando estava há uns 3 passos (meus passos são largos), eu olhei pra trás rapidamente e disse: "Tirei 5".
Continuei andando.
Cara, a galera abismaaaaaaada! Pasma! hahahaha Tadinhooos!
Aí voltei pulando e berrando: MENTIRA!!! TIREI 10!!!

Ahahaha e é tão bom ver as fotos dessa hora... Tão bom... Um sorriso tão grande, por um pedaço de papel. Um pedaço de papel que demorou 5 anos para chegar na minha mão perde sua função de "pedaço de papel", é como o virtual que chega a ser "atual". É uma realização. E só quem passa por isso, de conquistar esse pedaço, COM TODO MÉRITO, é que sabe o que significa.

Opa! Como diz minha folha de grau: Um primor.
Com licença agora, senhores, sou uma Jornalista.

Monografia

Meu tema são as relações afetivas na rede, um estudo de caso das formas de interação no Orkut.

Comecei abordando a Evolução da Internet, das Comunidades (a transição do real ao virtual) e dos novos usos para palavras antigas, dando surgimento ao Internetês e Emoticons.

No Cap II, falo do Real x Virtual. O real se traduz em virtual em vários setores (economia - e-commerce, cultura - MP3 e transmissão de shows on-line, política - transmissão ao vivo dos plenários e contato com os políticos através de e-mails, educação - aulas à distância). Para Lévy, o real se opõe ao atual. A semente é a virtualidade da árvore. Paul Virílio e Jean Baudrillard são mais radicais quanto ao virtual, consideram negativas as influências da Era da Informática à vida, condenam o falso-dia-eletrônico (a luz de lâmpadas), e foram inspiração para os roteiristas de Matrix. Embora o próprio Virílio prefira dizer que sua obra se assemelha mais ao Show de Truman, onde a sutileza com que o real se traduz na realidade aumentada da virtualidade estaria mais próxima do que quer dizer. "A realidade construída", que é como se refere aos reality shows.

Falo ainda das Relações On-line, que tem base na interatividade, encontrando mais estabilidade nas comunidades que nos chats, pelo contato seguido em um ambiente que se apresenta fixado na rede, diferente dos chats, em que se pode sair "sem deixar rastros", segundo a socióloga Sherry Turkle. E abordo o Amor Líquido de Bauman, em que a busca por segurança faz com que os laços formados sejam muito mais frágeis e facilmente desfeitos. As relações são fluídas e passíveis de serem descartadas, sempre que uma oferta mais interessante apareça.

Para chegarem ao Fim das Distâncias, com a quebra das barreiras virtuais, a segurança que as separa do mundo, através da facilidade com que tudo pode chegar a gente por meio dos serviços delivery, como menciona Luciene Setta, faz com que todos se afastem ainda mais da realidade. A tendência vista é de que as pessoas deixem de viver sua vida real para aproximar-se do virtual. (as lan houses em shoppings, cheias de pessoas que preferem se comunicar com quem está distante a interagir com tantos que estão logo ao lado). As afinidades são as motivadoras desta aproximação, todos querem ser aceitos. É a empatia que cresce quanto mais o outro se aproxima do ideal imaginado.

Por fim, o Estudo de Caso.
A escolha dos personagens foi feita em comunidades ligadas ao segmento, com pessoas que participavam dos tópicos.

Nas comunidades foram analisadas as descrições feitas pelos donos, quantidade de membros que elas reuniam (a maioria com este tema de relacionamentos on-line possui mais de mil membros, algumas com 10 mil outras com até 25mil - a maior- mas foram escolhidas menores, pois nas grandes prevalecem quase sempre os jogos).

Nos perfis, primeiro foram vistas as recomendações do próprio Orkut aos membros em seus perfis pessoais, com características físicas, o que gostam, não gostam, comprovando o que Baumam diz com relação à importância da experiência anterior, em uma das perguntas. Foram escolhidos casais para falar de suas experiências, chegando a considerar que houve o bate-papo intenso, sempre iniciado por meio da afinidade, chegando a quebra das barreiras virtuais e mostrando que o Orkut é um ambiente propício para este tipo de troca afetiva.