Estava fazendo uma hora antes de ir para academia e encontrei umas folhas, meio amareladas, batidas à máquina, que me chamaram atenção. Comecei a ler... As primeiras eram uma carta de apresentação do meu pai à empresa que ele desejava trabalhar aqui no Brasil, a INFRAERO, e as últimas eram seu currículo.
Para quem não sabe, meu pai faleceu quando eu tinha apenas 6 anos. Teve dois infartos no trabalho, um no Natal e outro no Ano Novo, irritado por não terem deixado ele vir para casa passar a data comigo e minha mãe. Ele era RP do aeroporto internacional. Trabalhava com traduções (falava 7 idiomas fluentemente e mais dialetos). Saiu do Peru de carona, viajou o mundo todo, chegou aqui e conseguiu ser bem sucedido.
Me orgulho muito dessa história, mas nunca conversei a fundo sobre ela com minha mãe. Ao encontrar o currículo e perceber do que se tratava, me senti Robert Langdon, do Código da Vinci, ao finalmente pegar o pergaminho de dentro do criptex.

Aquilo era valioso para mim. Mas eu não tinha noção do quanto, nunca desejei tanto, até tê-lo nas mãos... Eu sorria ao ler o nome dos colégios, com as datas em que ele estudou lá, e ao mesmo tempo meus olhos se enchiam de água. Dentre cursos de diversas línguas, uma coisa fez com que eu não conseguisse segurar o choro emocionado. A surpresa estava no topo da segunda página, ao ler que ele também fez um curso de Audiovisual.
Eu não tinha idéia disso! E foi impossível não abandonar as folhas e sair, disfarçadamente, em direção ao banheiro pra enxugar as lágrimas.
Era hora de ir para a academia, mas agora estou com as folhas ao meu lado novamente, e é involuntária a emoção que chega só de lembrar que foi ele quem digitou isso.
É bom sentir essa admiração por uma pessoa. Saber que ela significou tanto pra você, mesmo tendo passado tão poucos anos próximo. E eu me sinto ENORMEMENTE contente só de pensar que posso estar seguindo passos parecidos aos dele, que sempre serviu de inspiração pra mim.

- Meu olho nem inchou de chorar, né? Imagina...
Inertia creeps! Mexa nas folhas soltas da sua casa, não hesite em conhecer novas coisas. Quem sabe lá também não se esconde um tesouro? ;)

Um comentário:
Nem sei se você vai ver esse comentário, mas achei esse texto ótimo. Ok, ele é curto, simples, despretensioso e direto. Mas achei tão espontâneo, tão sincero, tão aberto, tão convidativo a fazer o leitor se emocionar que vale o comentário. Obrigado!
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