Uma coisa comum à gente é tentar adivinhar o que as pessoas estão pensando. Uma forma de auto-proteção, de compreender o que não fica claramente explicado, de testar a nossa própria sensibilidade.
Se eu conheci alguém que me fazia sentir que eu era completamente transparente em frente a ela, esse alguém foi a minha avó, Eurides.
Ela tinha um costume muito bacana de criar os animais abandonados. Isso, quando ela morava num sitio, lá em Sergipe. Uma das histórias que se tornaram inesquecíveis é a do veadinho que ela criava dentro de casa, ele viu a janela, foi pular e quebrou o pescoço, preso entre a cama e a parede. Ela dizia que chorou muito quando viu que ele tinha morrido. Me lembrava a história do bambi, que mata qualquer um de chorar... Pode parecer meio floreado, mas do jeito que ela contava, essa pra mim era a verdadeira história do bambi!
Quando nossa família veio para o Rio, minha vó continuou cuidando de animais. O xodó dela eram os sabiás, que meu tio trouxe para casa ainda filhotes depois que cairam do ninho.
Lembro que tinha uns disquinhos aqui em casa com o canto do sabiá e todos os dias acordávamos com eles cantando! De dia, de noite, era uma cantoria devidamente incentivada pela minha vó que assobiava junto deles.
Isso ficou marcado para gente. Minha vó era livre, cantava, assobiava, contava histórias e gostava de dar conselhos... Depois que ela morreu, nunca mais tivemos nenhum pássaro.
Ontem, eu estava quase dormindo, ouvi um sabiá na minha janela. Duvidei. Coloquei a TV no mudo para ver de onde vinha o som e tive certeza que não era do filme! Vinha da frente da janela mesmo.
O curioso é que não moramos em uma área arborizada. Era bem tarde e tinha um sabiá cantando na minha janela! Imediatamente, peguei o celular e tentei gravar, mas não consegui.
Por que aquilo estava acontecendo, por que aquela ave estava ali, eu não sei e provavelmente nunca saberei. Mas eu me sentia leve e feliz tentando adivinhar o "por quê".
Tudo que eu pude fazer foi ouvir o canto até pegar no sono... e rezar.


3 comentários:
Nossa, tem certeza de que não foi um devaneio? HAHAHA brincadeira!
Bom, eu não acredito em Deus, destino ou qualquer coisa assim (acredito na Física hehehehe), mas há algum tempo que parei de acreditar que tudo acontece por acaso. Acho que existe, sim, uma espécie de ligação entre várias coisas que acontecem na nossa vida, afinal ela é curta demais pra dar tempo acontecer tanta coincidência, não?
O ser humano sempre procura criar modelos para tudo o que ele vê. Pode ser algo simples e espalhado na humanidade que não percebemos, pode ser algo complexo, que só quem cria entende. Não é uma generalização, mas um professor meu disse uma vez que "Uma pergunta sempre tem resposta se começa com 'como'. Se começa com 'Por que', arrisco a dizer que tem infinitas respostas.". Por ser um cientista, meu fascínio pessoal é pelo "como", mas como humano eu acho que você aproveitou uma das belezas da vida, a busca pelo porquê. Buscar pelo "como" é método, buscar pelo porquê é poesia.
O sabiá apareceu de novo, aí achei que mais alguma coisa fosse aparecer por aqui também... =)
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